{"id":46,"date":"2018-11-18T21:25:16","date_gmt":"2018-11-18T21:25:16","guid":{"rendered":"http:\/\/myrun.pt\/?p=46"},"modified":"2019-05-19T14:34:16","modified_gmt":"2019-05-19T14:34:16","slug":"das-pequenas-corridas-e-das-grandes-vitorias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/myrun.pt\/en\/2018\/11\/18\/das-pequenas-corridas-e-das-grandes-vitorias\/","title":{"rendered":"Das pequenas corridas e das grandes vit\u00f3rias."},"content":{"rendered":"<p>Depois de Mar\u00e7o deste ano deixei de correr, retirei-me das redes sociais, abandonei os grupos de treino. Ap\u00f3s duas mudan\u00e7as de  emprego num ano, n\u00e3o me sentia esgotada, nem desmotivada. S\u00f3 n\u00e3o tinha o que  partilhar. Qualquer que fosse o grupo de pessoas com que estivesse, invariavelmente  as conversas eram sobre os filhos que eu n\u00e3o tenho, as viagens que eu n\u00e3o  posso fazer, as provas de corrida em que n\u00e3o ambiciono participar, o autom\u00f3vel  novo (e eu, que eu n\u00e3o posso mudar). N\u00e3o que n\u00e3o me satisfa\u00e7a o sucesso dos  outros. Desejo o melhor aos meus amigos e conhecidos. S\u00f3 n\u00e3o tinha mesmo  conversa. As redes sociais tornaram-se para mim num espa\u00e7o de tortura e  auto-comisera\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 que me incomodasse observar o sucesso exibido  pelos outros em selfies garridas com descri\u00e7\u00f5es sup\u00e9rfulas. Mas n\u00e3o  compreendia porque \u00e9 que todos conseguiam fazer a Transcan\u00e1ria, escalar o <em>Machu Picchu<\/em>, pagar col\u00e9gios aos mi\u00fados, fazer jantar de treinos das Ter\u00e7as, das rampas, do trail, do crossfit, vegan, das francesinhas ou dos cachorros, mudar de casa, criar cogumelos, abrir um alojamento local e eu n\u00e3o. Com as mudan\u00e7as de hor\u00e1rio de trabalho comecei a deixar de conseguir ir aos treinos e as conversas dos amigos interessavam-me tanto como a import\u00e2ncia dos insetos na cultura do anan\u00e1s. <\/p>\n\n\n\n<p>Passados uns meses comecei a frequentar o gin\u00e1sio com o Paulo e com a  Gl\u00f3ria e voltei a correr, sem grupo. Vagarosa, trepei horas de paralelos  da Afurada. Habituei-me a passar tempo sozinha. A treinar, a almo\u00e7ar, a  cruzar a A3. Sem companhia mas n\u00e3o solit\u00e1ria. Creio mesmo que, quando \u00e9  uma escolha, estar sozinho, observar, ponderar, fazer introspe\u00e7\u00e3o \u00e9 um  ato muito pouco solit\u00e1rio embora, conhecermo-nos a n\u00f3s mesmos, possa ser  profundamente cruel. Trepava as rampas erguidas de frente para o rio e  apercebia-me de que eu era a \u00fanica respons\u00e1vel pelas escolhas que tinha  feito e pelos resultados que as mesmas me tinham trazido. Que houve  circunst\u00e2ncias, sim, que as tinham provocado. Mas que, nas mesmas exatas  circunst\u00e2ncias, outras pessoas poderiam ter decidido de outro modo. E \u00e9  t\u00e3o hediondo, t\u00e3o doloroso ter que assumir que n\u00e3o podemos culpar as  circunst\u00e2ncias pelos nossos erros e que s\u00f3 n\u00f3s somos os culpados dos  nossos resultados. Se outros tinham chegado a patamares da vida que eu  queria ter atingido, n\u00e3o era por serem melhores que eu, nem por terem  mais meios, mais recursos. Antes por terem feito melhores escolhas e  quase sempre mais sacrif\u00edcios do que eu. Tive que aceitar que n\u00e3o sou  v\u00edtima, mas respons\u00e1vel pelas op\u00e7\u00f5es que tomei e me trouxeram at\u00e9 aqui.  Voc\u00eas sabem l\u00e1 a solid\u00e3o que \u00e9 compreender que somos os \u00fanicos  respons\u00e1veis por mudar a vossa vida. Voltei a mudar de emprego. Mais uma  vez, recome\u00e7ava. N\u00e3o estava propriamente na estaca zero mas estava  novamente a iniciar um caminho. Continuei a correr, mas tive que assumir  mais um resultado das minhas escolhas: tinha ficado meses sem cal\u00e7ar  umas sapatilhas pelo que n\u00e3o aguentava nem tantos km nem ritmos  atingidos anteriormente. Antes que me ocorresse voltar a arrumar as  sapatilhas, o Paulo inscreveu-nos numa prova de 10 Km que teve lugar  hoje, em Santa Maria da Feira, a Biorun. Fui com o Paulo e Gl\u00f3ria com 1  Hora de anteced\u00eancia, que afinal foram 2, porque a corrida que lemos ser  \u00e0s 10:00 h, s\u00f3 tinha partida marcada para as 11:00 h. Valeu-nos a  companhia do Pedro e da Ingrid! Na partida, j\u00e1 se faziam sentir in\u00fameras  cr\u00edticas e reclama\u00e7\u00f5es. Ou porque chovia&#8230;imagine-se chover em  Novembro!, ou porque a caminhada tinha partido primeiro e os caminhantes  iriam obstruir o caminho&#8230;n\u00e3o sei como s\u00e3o os outros povos, mas o  portugu\u00eas adora carpir. Imagine-se a ira do pelot\u00e3o quando compreendeu  que a prova de estrada, afinal, n\u00e3o tinha alcatr\u00e3o e o percurso estava  marcado maioritariamente em trilhos de lama. Ui! Foi um &#8220;N\u00e3o se admite, \u00e9  uma vergonha&#8221;!; &#8220;Se sabia tinha trazido as sapatilhas de Trail; &#8220;Eu n\u00e3o  vim aqui para isto&#8221;. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAAAAAP\/\/\/yH5BAEAAAAALAAAAAABAAEAAAIBRAA7\" data-src=\"http:\/\/myrun.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/20181118_1131000.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-80 lazyload\"\/><noscript><img decoding=\"async\" width=\"518\" height=\"920\" src=\"http:\/\/myrun.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/20181118_1131000.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-80 lazyload\" srcset=\"https:\/\/myrun.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/20181118_1131000.jpg 518w, https:\/\/myrun.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/20181118_1131000-169x300.jpg 169w\" sizes=\"(max-width: 518px) 100vw, 518px\" \/><\/noscript><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Compreendo que quem se dedicou e treinou para  fazer um determinado tempo de prova tenha sa\u00eddo defraudado. Admito que a  organiza\u00e7\u00e3o teve falhas graves como a falta de meios de socorro e duas  passagens dentro do Centro de Congressos num piso mais escorregadio do  que a lama do trilho. Mas j\u00e1 que l\u00e1 estavam, que j\u00e1 tinham pago, porque  n\u00e3o aproveitar? Correr por correr, pelo gozo de pisar a relva fresca,  sentir o aroma dos ranchos de eucaliptos distribu\u00eddos pelo caminho, os  p\u00e9s a enterrar-se na terra ensopada pelas chuvas recentes, chapinar nas  po\u00e7as. Admito que h\u00e1 um ano atr\u00e1s tamb\u00e9m teria ficado revoltada por ver o  meu objetivo de cortar a meta num determinado tempo, converter-se no  objetivo de acabar a prova sem cair e me magoar. Mas hoje compreendo que  a vida n\u00e3o \u00e9 uma fatalidade. N\u00e3o somos nenhuns fantoches de uma pe\u00e7a  escrita pelas circunst\u00e2ncias. Se n\u00e3o temos meios para, naquele momento,  atingir o nosso objetivo, adequamos a estrat\u00e9gia. Tentamos de novo. N\u00e3o  perdemos a oportunidade de usufruir do momento e da companhia. De  aprender algo de novo. Eu n\u00e3o perdi. E esta foi, para mim, uma grande  vit\u00f3ria. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cover has-background-dim\" style=\"background-image:url(http:\/\/myrun.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/20181118_121658-1024x576.jpg)\"><div class=\"wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow\">\n<p style=\"text-align:center\" class=\"has-large-font-size\"><\/p>\n<\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de Mar\u00e7o deste ano deixei de correr, retirei-me das redes sociais, abandonei os grupos de treino. 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